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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020, 11:05h

Fundação implantou Ambulatório Trans do HGV

Espaço dentro do Ambulatório Azul do HGV vai atender travestis e transsexuais

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No Dia Nacional da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, uma reivindicação antiga da população LGBTQI+ foi atendida pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde e Fundação Piauiense de Serviços Hospitalares (Fepiserh). A inauguração do primeiro Ambulatório de Saúde Integral da População Trans, que vai funcionar no Ambulatório Azul do Hospital Getúlio Vargas (HGV), em Teresina. A vice-governadora Regina Sousa estava presente e chamou a atenção para que as pessoas trans lutem por seus direitos ao mudarem de identidade. O Ambulatório recebeu o nome de Makelly Castro, travesti assassinada em Teresina, em julho de 2014, e terá uma equipe multidisciplinar com capacidade para realizar entre 100 a 200 atendimentos por mês.

A vice-governadora Regina Sousa disse que o Piauí se destaca em oferecer este tipo de serviço específico às pessoas trans. Ela citou o caso do escritor João Nery, o primeiro homem trans do Brasil, que após a mudança de sexo, perdeu a identidade. “João era Joana, professora, e quando mudou de sexo, se tornou analfabeto, e para sobreviver foi ser pedreiro, taxista, até se tornar escritor. Morreu em 2018, aos 70 anos e nunca conseguiu a aposentadoria", lembrou. Regina chamou a atenção das pessoas trans sobre esse problema e pediu que elas lutem por seus direitos. Um dos livros mais conhecidos de João Nery é Viagem Solitária, que inspirou a personagem Ivan, da novela A Força do Querer, escrita por Glória Perez.

Para o secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto, é um serviço multidisciplinar que buscará atender a população trans do Piauí. "Um atendimento que o Governo faz a ese segmento da sociedade, no qual teremos um serviço voltado a transexualidade, com psícologos, assistentes sociais e médicos na área da endocrinologia, ginecologia e urologia", falou Florentino Neto.

O presidente da Fundação Hospitalar do Estado, Welton Bandeira, destaca que, "O interesse do Estado é dar atendimento especializada para essa parcela da população, visto que o número de travestis e transexuais no Piauí e a busca por serviços nas mais diversas áreas ambulatoriais é expressivo."

Esse projeto estava em estudo no Governo do Estado desde 2012, e agora efetivamente está sendo colocado em prática. O diretor geral do Hospital Getúlio Vargas, Gilberto Albuquerque, disse que o objetivo do ambulatório é dar oportunidade a população trans um acompanhamento e tratamento de forma mais adequada, em local específico e com profissionais treinados. 

Marcela Braz, coordenadora de Enfrentamento a LGBTfobia, declarou que é um momento de vitória de uma luta antiga que as travestis e transexuais travavam. “Com o Ambulatório Trans, nós teremos a oportunidade de adequar o nosso corpo à identidade da qual nos identificamos, atendendo todas as nossas necessidades quanto pessoas trans, no quesito saúde”, pontoa a coordenadora. 


Fonte: FEPISERH