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Sexta-feira, 20 de Março de 2020, 17:55h

Adolescente é curado de doença rara no Hospital de Picos

Jovem foi diagnosticado com Criptococose

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O Hospital Regional Justino Luz, de Picos, é um dos maiores da região centro-sul do Estado, realizando mais de 7 mil atendimentos mensais, e referência em hospital "porta-aberta", atendendo cerca 40 municípios circunvizinhos, como foi o caso do adolescente A.J.S., de 14 anos, natural da vizinha cidade de Ipiranga do Piauí e diagnosticado com uma doença rara, chamada Criptococose.

O jovem deu entrada no Justino Luz com febre e crises epiléticas. O médico neurologista Tércio Luz Barbosa explica o procedimento para diagnosticar a doença. "Ele foi internado e foram feitos exames de sangue que não mostravam nada. Aí fizemos uma tomografia de crânio que mostrou algumas imagens estranhas, com manchas, e lesões dos dois lados do cérebro em um padrão muito atípico". A equipe médica ficou em alerta, pois casos de AVC em uma pessoa com 14 anos são difíceis, e logo partiu para uma investigação mais criteriosa.

O médico conta que o paciente passou a receber todos os cuidados necessários, mas apresentou um quadro de confusão mental, precisando ser entubado duas vezes. Após o exame de Líquor realizado no hospital, foi identificado o fungo Cryptococcus Neoformans.

Segundo Tércio, mais exames foram realizados, pois esse tipo de fungo atinge com frequência pessoas com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). "Mesmo sendo um jovem, fizemos a sorologia e deu negativo. Ele não tinha nenhuma doença que justificasse o acometimento desse fungo no cérebro".

 A Criptococose é uma doença classificada como micose sistêmica, causada por fungos do gênero Cryptococcus e que, dependendo do caso, pode matar. O que preocupou a equipe médica foi como o adolescente adquiriu o fungo. A família relatou que onde moram, criam galinhas, e segundo o neurologista, atualmente é raríssimo essa ave ser um transmissor, mas que pode acontecer.

Tércio Luz pontuou mais um avanço no hospital. "O impacto disso, foi ter o diagnóstico em um caso tão difícil, em um hospital público no Interior do estado. E pelo histórico de como a doença se manifestou em um paciente que não tem imunodeficiência e apesar de grave, nos tínhamos a medicação para tratar. Após 40 dias de tratamento, ele reagiu e foi curado", revela.

O principal reservatório do fungo é matéria orgânica morta presente no solo, em frutas secas, cereais e nas árvores. O fungo causador da doença também é encontrado nas fezes de aves, principalmente dos pombos, daí o ser humano inala no ar, o fungo.

Desde 2017, o Hospital Regional Justino Luz é administrado pela Fundação Piauiense de Serviços Hospitalares (Fepiserh). A diretora técnica da Fundação, Nara Nunes, avalia que manter a farmácia de medicamentos da casa é um essencial.

"A direção técnica do hospital busca constantemente manter medicamentos e insumos necessários para o bom atendimento do paciente. Somos um hospital porta-aberta, e sendo assim, busco junto a minha equipe médica e direção-geral, otimizar as demandas da unidade, através da gestão da Fepiserh e apoio da Sesapi, em medicamentos e estrutura, destaca o médico cirurgião Paulo Moura.


Fonte: Lorena Sales (Picos)